terça-feira, 10 de abril de 2012

Privataria da TV Cultura. O desmanche de um patrimônio público bem ao estilo do PSDB.



Dossiê: O desmonte da Fundação Padre Anchieta e da TV Cultura
BLOG DO ROVAI - Via Ronaldo livreiro



Na terça-feira passada (3/4) aproximadamente 150 pessoas estiveram Sindicato dos Engenheiros para participar de um ato contra a privataria na TV Cultura, que tem como símbolo maior a doação de um espaço público para um grupo de mídia privado, no caso o jornal Folha de S. Paulo.

Entre outros, estiveram no evento o economista Luis Gonzaga Belluzzo, do Conselho Curador da TV, o jornalista Luis Nassif, que trabalhou por um bom tempo na Cultura, e o ex-professor da USP, Lalo Leal Filho, também ex-funcionário da emissora.

Os deputados estaduais Simão Pedro (PT), Carlos Gianazzi (PSoL) e Leci Brandão (PCdoB) também compareceram. Na ocasião, Beluzzo solicitou que os deputados convocassem uma audiência pública para discutir o desmonte nas rádio e TV Cultura e este blogueiro somou a essa sugestão a de que os deputados já entrassem com um pedido de CPI, porque há muitas suspeitas de que a Fundação esteja sendo utilizada para fins privados. Ali no calor da hora, os três deputados presentes afirmaram que assinariam o pedido de CPI. Que assim seja. Porque há indícios de que há muito a ser investigado em relação que está sendo realizado na Fundação Padre Anchieta pelas últimas gestões tucanas.

João Brant, do Intervozes, me enviou um dossiê que construiu colaborativamente com ex-funcionários, ex-colaboradores e pessoas que estão atentas ao que está ocorrendo por lá. Alguns trechos são bastante reveladores do desmonte da Fundação.

Trechos do Dossiê:

Mais de mil demitidos
Desde o início da gestão João Sayad, a TV Cultura encolheu drasticamente. Foram mais de mil demitidos, entre celetistas e PJs. Um processo de seleção “pública” foi desenvolvido para a regularização de poucos funcionários. A maioria foi desligada com o fim de programas e dos contratos de prestação de serviços.

Sayad e a privatização
A gestão do presidente João Sayad, do vice-presidente de conteúdo Fernando Vieira de Melo e do vice-presidente administrativo Ronaldo Bianchi caminhou às escuras para dilapidar o patrimônio público. Sayad optou por transformar a TV Cultura em uma mera exibidora. Cancelou e/ou deixou de renovar contratos de prestação de serviço (TV Justiça, Assembléia de São Paulo, etc), acabou com diversos programas da grade e implantou um projeto de demissões em massa.

Em conversas com seu staff, João Sayad já comentou que a TV Cultura deveria caber apenas de um andar de um prédio comercial diante do planejamento que implantou. O que se vê é um processo de “privatização” das funções da FPA na comunicação pública. E não se pode descartar também a “estatização” e a “partidarização” destas mesmas funções públicas.

Erros de gestão na TV
Roda Viva – Na reformulação do programa de debates e entrevistas, Marília Gabriela assumiu o posto de condutora da atração. A transformação, no entanto, foi mais profunda, resultando na completa desfiguração do programa. Um ano após a mudança, a direção da emissora recuou e restabeleceu o formato original.

Jornal da Cultura – Com o excesso de demissões e o sucateamento da estrutura técnica, o jornalístico perdeu a força das reportagens, que praticamente deixaram de ser exibidas. No ar, a âncora Maria Cristina Poli, divide a bancada com um time de comentaristas que se reveza para colher os louros do traço no Ibope.

Metrópolis – Além de ter sido jogado para o final de noite, o programa também sofreu uma completa desestruturação. E esta é a segunda reformulação do programa dentro da gestão Sayad. Cadão Volpato foi contratado e demitido na mesma gestão. Hoje, o programa exibe pouquíssimas reportagens, há anos não possui capacidade técnica para links ao vivo e acabou se limitando a um talk-show de temas culturais.

Música Clássica – Perdeu espaço na grade de programação. A gravação de concertos de orquestras brasileira passou a ser feito com menor regularidade. Em vez de exibir material novo, atualmente aposta em muitas reprises e na veiculação de produções estrangeiras.

TV Justiça e TV Assembleia – Terminar com os contratos de prestação de serviços não só cortou receitas para a FPA como acelerou o processo de transformação da emissora em mera exibidora. Demissões foram feitas as centenas com o fim deste contrato. Os valores e o conteúdo dos acordos nunca foram apresentados publicamente.

Teatro Franco Zampari – A gestão Sayad pretende doar o Teatro Franco Zampari, onde são gravados vários programas da TV Cultura. O objetivo é desfazer do patrimônio sob o argumento de que a estrutura é onerosa. As negociações estão em estado avançado com a Associação Paulista de Amigos da Arte (APAA).

Carnaval 2012 – A transmissão de 9 horas do Carnaval 2012 de São Paulo é um case importante desta fase da FPA. A negociação dos direitos de transmissão com o SBT e Globo foram suspeitas. A TV Cultura disponibilizou equipamentos e equipes para a transmissão do Grupo de Acesso e do Desfile das Campeãs, mas só transmitiu o primeiro. O Desfile das Campeãs ficou de presente para o SBT, incluindo a operação e o uso de equipamentos da FPA. Os valores da negociação não foram divulgados.

Portal Cmais – Lançado com alarde pela atual gestão, o portal tem uma produção ínfima e extremamente dependente das equipes já sobrecarregadas dos programas. A carente infra-estrutura de TI o deixa fora do ar frequentemente. E a equipe reduzida de funcionários propicia erros crassos, como a transmissão por horas do streamming de vídeo do SBT no lugar da programação ao vivo da própria TV Cultura (dia 29 de fevereiro).

Acordo com a Folha de S. Paulo
O acordo com a Folha de S.Paulo expôs a “privatização” da TV e a simpatia política do governo com este veículo. Se, de acordo com Artigo 22º, Inciso 6º, do Estatuto da Fundação Padre Anchieta, o Conselho Curador “deve aprovar a celebração de convênios ou acordos com órgãos ou instituições públicas ou privadas, concernentes à programação”, a dúvida que fica é: esse acordo, redigido e formalizado, foi aprovado pelo Conselho? Por que não foi divulgado? Quais os valores envolvidos na negociação? Os conselheiros precisam publicizar essas informações.

Rádio Cultura Brasil
É a rádio de música brasileira da FPA, transmitida em AM. É de conhecimento de todos a importância cultural e educativa do trabalho realizado na emissora. Da seriedade da produção com a pesquisa à informação jornalística transmitida aos ouvintes. A equipe de produção foi achatada na atual gestão com fechamento de vagas e com demissões. Em abril de 2012, a equipe foi reduzida a cinco apresentadores, um diretor de programas, um assistente, três jornalistas e cinco estagiários. A equipe técnica também sofreu cortes e acumula as operações da rádio AM e da Rádio Cultura FM (música erudita).

Todos os funcionários trabalham mais horas do que as contratadas. Alguns programas gravados da Rádio Cultura Brasil (AM) são produzidos por funcionários da Cultura FM e vice-versa. Não existem mais programas gravados na Rádio Cultura Brasil, com exceção aos retransmitidos – o do produtor e pesquisador Solano Ribeiro (A Nova Música do Brasil) e o Reggae de Bamba (Jai Mahal). A programação musical é reprisada à exaustão e os programas ao vivo não têm mais entrevistas no estúdio com a presença do convidado. São usadas apenas entrevistas por telefone (com exceção ao programa Cultura Livre, que tem interesse da TV, mas cuja produção em vídeo também está paralisada).

A Rádio Cultura Brasil tem problemas técnicos de irradiação do sinal há pelo menos 20 anos. A única tentativa de solucionar esta questão foi na gestão de Marcos Mendonça. Contudo, a escolha de uma aparelhagem inadequada tirou o sinal das regiões nas quais a emissora era tradicionalmente ouvida e ampliou-se em duas regiões onde a rádio não chegava. Sem qualquer divulgação ou campanha, houve perda de audiência.

Nem a iniciativa do lançamento do Portal Cultura Brasil (muito pertinente em tempos de convergência digital) vingou. A proposta inicial de reunir todo o conteúdo musical da Rádio Cultura Brasil, da Cultura FM e dos programas musicais da TV Cultura não mais funciona regularmente. Hoje, o abastecimento de conteúdo do site é quase nulo.

A crise do falso Moralismo da velha UDN


A UDN, os seus filhos e a sua falsa moral.

Magalhães Pinto e Demóstenes. Filhos da mesma chocadeira.


Mais uma vez os fatos incontestes desmontam e desmascaram o discurso “moralista” da velha UDN trasvestida hoje de DEM.

O caso do Senador paladino da ética e da moralidade, Demóstenes Torres, que na verdade era um prestador de serviços para o bicheiro e nada republicano Carlinhos Cachoeira, desvenda os sustentáculos da política com o crime.

Indubitavelmente, o Senador assim como o seu partido, o DEM, que não tem nada de reserva moral, se olvidaram do venho ditado que diz “Quem tem moral não arrosta. Quem tem ética não faz disso marketing. Quem tem, tem. É apenas uma obrigação de caráter.”

Demóstenes Torres neste episódio que mais uma vez macula a imagem do Parlamento Brasileiro, é mais um adepto daqueles que se utilizam da política para se locupletarem financeiramente das benesses que o poder pode proporcionar.

Aliás, a crise que desmascara a velha UDN se alastrou como praga para inúmeros partidos brasileiros, posturas éticas, comportamentos republicados, biografias ilibadas, entre outros princípios que deveriam nortear o comportamento político são hoje peças incomuns.

Vale lembrar que o DNA desta agremiação partidária tem sua origem na mais perversa historia politica de nosso país.

São eles, a velha UDN, que camaleonicamente se transfigurou no PDS do velho Paulo Maluf, “amigo íntimo” das práticas mais elementares da malversação do dinheiro público, hoje integrante da lista de procurados da Interpol que usa das prerrogativas da imunidade parlamentar para não ser preso.

Assim como na transformação do PDS - partido dos generais golpistas - para o PFL de tão vasta lista de usurpadores da república que tinha como seus baluartes figuras como o velho Antonio Carlos Magalhães, o coronel da Bahia, Jorge Bornhausen, saudosista dos porões da ditadura, Roseane Sarney imperadora do Maranhão e Manu tentadora da miséria daquele povo, entre outras figuras de tão sorumbática lembrança nos traz.

Hoje sob a falsa roupagem de democratas, a velha UDN que virou PDS, transformou-se em PFL e se apresenta hoje como DEM tem um discurso controverso de seus quadros e de suas biografias.

Afinal, o senador Demóstenes Torres é fruto de seu meio aliado de Marconi Perillo governador de Goiás pelo sempre prestativo PSDB, matriz e locador costumas do DEM e tem e sua ficha corrida as mais variáveis denuncias de corrupção.

Como também tem em seu partido figuras como Agripino Maia, ACM-Neto, Ronaldo Caiado , Cesar Maia entre outros.

Afinal, todas as raposas chefiando galinheiros.

Como não há condições moral de se acreditar no DEM que pediu a saída do Senador que atendeu de pronto para não ser mais envolvido no caso como já foi, cabe à justiça processar e condenar o paladino da hipocrisia.

Entretanto, acho muito difícil que este senhor pare na cadeia, lugar que deveria ser habitat normal daqueles que praticam crimes, mas, como se trata de um Senador da República, dificilmente nossa sociedade terá essa oportunidade de ver a impunidade contrariada.

Contudo, temos pelo menos o gosto de vermos, mais uma vez, a máscara da velha UDN ser despida.

Henrique Matthiesen 

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Uma decisão político/administrativa histórica do governo Dilma


Uma coisa considerada impossível até a pouco tempo começam a acontecer neste País, o Governo Dilma (PT) acaba de promover uma espetacular redução nos juros dos bancos públicos. É uma decisão político/administrativa histórica que vai forçar a concorrência a amenizar a "agiotagem" generalizada patrocinada pelos bancos comerciais.

A intenção com essa redução é estimular a economia e retomar o crescimento num ritmo mais forte, superando o atual cenário de crise internacional.

Banco do Brasil, Bom pra Todos.


O Banco do Brasil anunciou o BOMPRATODOS, conjunto de medidas que promoverá a redução das taxas de juros das principais linhas de crédito para pessoas físicas e micro e pequenas empresas.

CAIXA - Melhor Crédito.




A CAIXA tem uma importante notícia para todos os brasileiros: é o programa CAIXA Melhor Crédito. Trata-se de um corte histórico na taxa de juros. Se a CAIXA já oferecia as melhores condições para empréstimo pessoal, cartão de crédito, consignado, as novas taxas vão surpreender ainda mais. Ao promover esta redução drástica de juros, a CAIXA quer oferecer mais oportunidades de crescimento e um Brasil melhor para todos.

Nesta segunda, a Caixa Econômica Federal reabriu oferecendo pacotes inéditos para clientes vindos de outros bancos e taxas de cheque especial que começam em 1,35% ao mês — há duas semanas, a média era 8,01%.

O Banco do Brasil também entrou nessa batalha e apesar de ser de forma menos ousada, os resultados serão otimizados pois o  BB  é o maior banco brasileiro.

De qualquer forma, já se sabe que o jogo vai ser pesado: a Caixa distribuirá aos correntistas de bancos privados formulários para “migração” da conta-salário.

E mais: oferecerá linha de financiamento chamada “Crédito Azul”, pela qual o cliente poderá quitar a “dívida cara” na concorrência e se refinanciar com juros menores no banco estatal.

Trata-se de uma medida coerente com o pacote de 60 bilhões de estímulo à industria — e essencial num país que possui as mais altas taxas de juros do mundo.

Numa excelente postagem - A grande jogada administrativa e política do governo Dilma - Eduardo Guimarães afirma que a gritaria dos bancos privados, através da mídia e de seus comentaristas e analistas econômicos de plantão é injusta e ridícula.

Basta analisarmos alguns resultados do setor econômico, entre 2004 e 2010, para constatarmos que sua margem líquida deu um salto. Passou de 20,5% para 32,7%.É um crescimento superior a 50% em seis anos. Nenhuma outra atividade econômica legal alcançou ganhos tão grandes.

Agora, obrigados a se ajustar a um mercado que se tornou mais competitivo, os bancos privados reclamam. Abandonam o velho discurso a favor da livre concorrencia, da competição, do mercado, e querem ajuda do governo.

É mole? Pedem redução de impostos. Querem mais garantias contra clientes inadimplentes.

Bobagem. O que eles querem é manter uma lucratividade que só se explica pelo juro altíssimo — como os próprios banqueiros admitem em conversas reservadas — e também pelo monopólio do mercado.

Enfim, ameaçados de perder numa ponta, querem compensar na outra.

Não compreendem que a sociedade mantém os bancos para que possam ajudá-la a crescer, desenvolver-se, criar empregos. Não é para administrar a riqueza de todos em proveito de poucos.

A queda nos juros é uma ideia ótima para o país, que precisa de juros menores para manter o crescimento. Essa é a discussão que interessa aos cidadãos!

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Campanha de Utilidade Pública - Assinar a Revista Veja é Comprar Lixo.


Deputado do PT implode a Revista Veja!!!

Além de comprar lixo, agora significa apoiar práticas criminosas...

O Deputado Fernando Ferro do PT (PE) fez ontem, na Câmara dos Deputados, um discurso em que implode o governo PSDBistas de Goiás e a Revista Veja...

"Curioso como a junção de interesses de um orgão de comunicação como a Revista Veja, um traficante de influência e bicheiro como Carlinhos Cachoeira e um senador corrupto como Demóstenes Torres, uma série de mazelas foram introduzidas na política... Uma política de grampo e de investigações ilegais na vida desse país!"

Imperdível!

     

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Ex-jornalista da Globo condenado já foi f... igual ao Policarpo



http://goo.gl/G5uNU

No ano de 2006, no Rio de Janeiro, os herdeiros do bicheiro falecido Castor de Andrade haviam se dividido em dois grupos, que tornaram-se rivais e travavam uma guerra violenta pelo controle de caça-níqueis na zona oeste. Um lado era chefiado por Rogério Andrade, o outro por Fernando Iggnácio. Um sobrinho, o outro genro de Castor.

Em dezembro daquele ano, a Operação Gladiador da Polícia Federal levou à prisão das quadrilhas e da cúpula da polícia civil do Rio de Janeiro.

O Ministério Público Federal apurou que o jornalista da TV Globo, Messias Xavier, era f... (como diz Reinaldo Azevedo) para fazer reportagens contra a máfia de caça-níqueis, mas... só direcionadas contra Rogério Andrade.

Na Operação Gladiador, Messias Xavier foi flagrado trocando telefonemas e e-mails com a quadrilha de Fernando Iggnácio. Ele alegou a mesma coisa que Policarpo Jr. da revista Veja disse a respeito de seus quase 200 telefonemas trocados com Carlinhos Cachoeira: estava desempenhando seu ofício de repórter atrás de notícias.

Os telefonemas falavam em pagamento de mensalinho, presentinhos, e venda de informações. Há telefonema em que Messias Xavier avisava sobre informações policiais sigilosas que ele conseguia na polícia ou na justiça como repórter, e antecipava o que iria acontecer para a quadrilha de Fernando Iggnácio, agindo como informante da quadrilha.

A TV Globo foi obrigada a livrar-se do vínculo desconfortável, e demitiu Messias Xavier. Constrangida, viu-se obrigada a divulgar os diálogos comprometedores no Jornal Nacional e emitiu nota pública comunicando a demissão.

Em dezembro de 2010, após responder o devido processo legal, o ex-jornalista da Globo foi condenado a 3 anos de reclusão, tendo a pena convertida para prestação de serviços comunitários e pagamento de multa.

Só o Ministério Público, a Polícia Federal, o próprio Policarpo e a revista Veja sabem exatamente se o editor-chefe infringiu algum artigo do código penal nas suas soturnas conversas com Carlinhos Cachoeira (como aconteceu com Messias Xavier). 

Mas o silêncio da revista Veja sobre estes diálogos já dá pistas. Aguardemos os próximos capítulos.

Lula recebe Prêmio Internacional da Catalunha 2012 pelo combate à pobreza e à desigualdade





O presidente do governo autônomo da Catalunha, Artur Mas, anunciou nesta segunda-feira (2) que Luiz Inácio Lula da Silva foi o vencedor do 24º Prêmio Internacional Catalunha 2012. O prêmio é destinado a pessoas que tenham contribuído com o desenvolvimento de valores culturais, científicos ou humanos.

Lula venceu por unanimidade uma eleição que contou com 177 nomes, de 57 países. Durante o anúncio do prêmio, Artur Mas destacou o caráter do ex-presidente brasileiro, “que o permitiu enfrentar, com criatividade e coragem, a pobreza e a desigualdade”. O catalão disse ainda que a escolha de Lula foi motivada pela luta que travou durante seus dois mandatos pelo crescimento econômico do Brasil e para “erradicar a pobreza e a miséria”.

O júri, presidido pelo escritor e filósofo Xavier Rubert de Ventós, elogiou a política adotada por Lula “a serviço de um crescimento econômico justo, que colocou seu país à frente da globalização e favoreceu uma divisão mais justa da riqueza e das oportunidades”.

O presidente catalão Artur Mas também leu uma carta de Lula na qual o ex-presidente declara sua “alegria e orgulho” pelo prêmio, “uma conquista que reforça a minha convicção na importância de se lutar por uma sociedade mais justa e democrática, sem fome e sem miséria”. Lula termina a mensagem dizendo que a decisão do júri “reforça a amizade e a solidariedade entre nossos povos”.

Sobre o Prêmio

O Premio Internacional Catalunya é concedido anualmente desde 1989 a personalidades internacionais dos meios político, econômico e cultural. Homenageados anteriores incluem os ex-presidentes ou primeiros-ministros Jimmy Carter (EUA, 2010), Vaclav Havel e Richard von Weizsacker (Rep. Tcheca e Alemanha, compartido em 1995), Jacques Delors (França e União Européia, 1998); os intelectuais Edgar Morin (1994), Karl Popper (1989) e Claude Lévi-Strauss (2005); e os ganhadores do Prêmio Nobel Aung San Suu Kyi (Myanmar, 2008) e Amartya Sen (Índia, 1997).

 Também recebeu o prêmio o brasileiro de origem catalã Pedro Casaldáliga, ex-Bispo de Conceição do Araguaia (2006). Informações do Instituto Lula

domingo, 1 de abril de 2012

Crise europeia mostra como o Brasil se salvou com Lula e Dilma


Charge sobre crise econômica
O LEGADO DE UM PRESENTE TUCANO
Todas essas desgraças que vemos acontecer agora na Europa são o produto da implantação de um fundamentalismo de mercado incompatível com o sistema democrático. Imaginemos então o que poderia ter acontecido ao Brasil se o resultado das urnas tivesse sido outro em 2002, 2006 e 2010. O capital nos ensina que ‘presente de grego’ não tem nacionalidade específica; e que ‘em cavalo dado não se olha os dentes’. Principalmente se ainda estivéssemos diante de um pangaré neoliberal tucano.
CAVALO GREGO QUASE TROTOU POR AQUI
por Gilson Caroni Filho *
O que está acontecendo na Grécia, país que perdeu parte significativa de sua soberania, não pode ser atribuído a um raio num dia de céu azul ou a uma saída de emergência para salvar o capital dos credores, mesmo que o preço seja levar o país à falência.
É produto de uma ação planejada há mais de duas décadas pelo laboratório de experimentos do capital financeiro.
A presença permanente de uma equipe da troika (Banco Central Europeu, União Européia e FMI), monitorando o fluxo de empréstimos, a criação de uma conta vinculada destinada exclusivamente ao pagamento do serviço da dívida e aceitação que tribunais de Luxemburgo julguem dissídios, não cabendo ao governo grego qualquer tipo de recurso, são evidências de uma estratégia amadurecida ao longo do tempo.
Trata-se de remover os entraves colocados pelo Estado-Nação e pela democracia à dinâmica capitalista que requer, em última instância, salários baixos e elevadas taxas de poupança.
Pela capacidade do capital de evitar a tributação e condições empregatícias onerosas, através da livre movimentação para outros mercados, o sonho social-democrata se desfaz como uma carta antiga de Bernstein.
Charge de Carlos Latuff
Mas voltemos no tempo para irmos aos fatos.
Na década de 1990,o Acordo Multilateral de Investimento( AMI) era negociado na surdina, entre os países desenvolvidos da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), por iniciativa dos Estados Unidos e da União Européia, com cinco países observadores, entre eles o Brasil, então governado pelo consórcio demotucano.
O que vinha a ser esse documento pôde ser resumido numa frase de Renato Ruggiero, à época diretor-geral da OCDE: “Com este documento estamos escrevendo a Constituição de uma economia global Unificada”.
Assim, ficamos sabendo por que até 1997 as negociações da AMI eram secretas. Ou seja, o acordo não era conhecido nem pelos parlamentares dos países envolvidos.
O sigilo era explicável se conhecermos algumas das condições contidas no documento.
O AMI era uma espécie de carta magna das corporações internacionais concebidas com o objetivo de vigência mundial, para respaldar suas atividades, por cima das instituições e constituições onde atuavam. Uma antecipação do cavalo de Tróia entregue à Grécia recentemente.
Criava uma nação corporativa, virtual, acima das nações convencionais, movida por um único e superior motivo: o lucro do capital internacional.
Nos seus termos conhecidos, os investidores poderiam ingressar em qualquer área, setor ou atividade sem qualquer tipo de restrição, podendo contestar ações políticas ou governamentais, desde que entendessem que qualquer uma delas viesse a prejudicar seus lucros.
Muito ao contrário, o governo deveria assegurar os investimentos externos e garanti-los contra tudo que pudesse afetar sua rentabilidade.
Charge de Carlos Latuff
Os governos nacionais deixavam assim de ser guardiões de seus cidadãos e passavam a representar uma espécie de guarda pretoriana do capital externo. E, se não exercesse bem essa função, cada governo passava a ser responsabilizado para cobrir qualquer intervenção do Estado suscetível de reduzir a capacidade das corporações de obterem um lucro maior.
E, veja a terrível coincidência, quem escolheria o foro para tais litígios seria o grande capital, ficando o Estado sem qualquer status jurídico-político, sem poder negar o tribunal escolhido, nem submeter os litígios à arbitragem internacional.
Nesses temos, a nossa soberania — lembremos que eram os tempos de FHC! –, inclusive política, estaria num dos livros-caixa dos grandes conglomerados ou disquetes de organismos multilaterais de crédito. Estaria eliminado todo e qualquer sentido de autodeterminação e independência que ainda pudéssemos ter.
O aparente recuo foi meramente tático.
O que vemos na Grécia é a implantação de um fundamentalismo de mercado incompatível com o sistema democrático. Repletos de volumosas estatísticas e modelos matemáticos arcanos que fornecem a ideologia para o estabelecimento de governos autocráticos, capazes de impor sua vontade a um povo com seus direitos fundamentais subtraídos.
Se tais fatos e manobras chegam a espantar pelo tamanho da queda imposta a países com tradição democrática, imaginemos o que poderia ter acontecido ao Brasil se o resultado das urnas tivesse sido outro em 2002, 2006 e 2010.
O capital nos ensina que “presente de grego” não tem nacionalidade específica.
E que “em cavalo dado não se olha os dentes”. Principalmente se estivermos diante de um pangaré troiano.
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Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil.